domingo, 26 de junho de 2022

 Sempre procurei suprir um vazio com outro. Principalmente com o "amor". Eu nunca me dei o tempo da cura, o tempo de me redescobrir, me refazer e depois me apaixonar de novo. Eu sempre quis evitar a dor desse processo e o jeito que encontrava pra isso, era me deixando suscetível a encontrar outra pessoa logo de cara, me envolvendo só pra "suprir" os pensamentos e o estar sozinha. Não, isso não é certo. Pessoas covardes fazem isso, pessoas que não são resilientes. Há um motivo em cada dor que suportamos, há um motivo para o período "triste" pós um término. Deve haver uma reflexão, deve haver um entendimento do que houve de errado, do que a pessoa pode melhorar em si, para si própria. 

Sentir te desgasta, te consome, se sentir culpada por não ter "feito funcionar", por ter errado aqui ou ali e também por se permitir passar por coisas que deveriam ser inegociáveis. Mesmo que não haja o momento de reflexão, sempre vai existir aquela saudade. E ela também te faz sentir mal. Por que sinto saudade se sei que foi melhor assim? E então qualquer coisa rotineira se torna um grande fardo sem aquela pessoa pra dividir. Sem uma mensagem de bom dia ou qualquer outra coisa simples que te fazia sentir tão vivo. Acho que deveria existir um termo de uso de relacionamentos, te lembrando do que pode acontecer. Mas ninguém nunca lê os termos de uso, né?

Dessa vez, pela primeira vez, eu escolhi me curar antes de me permitir sentir novamente. Descobri que gosto muito da minha companhia. Mas descobri que gosto muito da companhia dele. E uma hora isso passa, não passa? 

quinta-feira, 2 de setembro de 2021

O que eu quero?

Tenho lido um livro chamado “Comunicação Não-Violenta” que fala sobre empatia e honestidade nas relações diárias e em suas formas de comunicação. Um dos pontos que mais me chamaram atenção foi sobre fazer pedidos. Muitas vezes reclamamos, queremos que as coisas mudem mas não sabemos pedir. Nossas exigências não são atendidas e a gente se frusta. Não é culpa do outro, na maioria das vezes. A falta de objetividade ou até mesmo de entendimento sobre o que sentimos causa dificuldade em nos expressarmos da forma correta e geralmente vem acompanhada de frustração. 

Reconheci muito do que descrevi acima em mim. Sempre tive dificuldade em entender o que sentia e foi uma longa jornada de autoconhecimento até começar a entender (não com total clareza ainda e acho que nunca) o que sentia. Reconhecer as emoções, sentimentos, o que deve permanecer e o que não. É uma difícil tarefa não confundir as coisas, entender e expressar o que sente sem transgredir o espaço do outro. Por si só entender o que se sente já é difícil, verbalizar, sem que haja confusão, é uma tarefa árdua. E ainda reagir ao outro sem se exceder, sem se ressentir.

Tarefa difícil a comunicação! Acompanhada de compreensão, empatia, honestidade e clareza requer um esforço ainda maior, mas a recompensa é valiosa. Relacionamentos baseados nesses princípios de comunicação tem melhor entendimento, tem menos respostas “na defensiva” e diálogos que não expressam exigências mas sim uma compreensão sem julgamento e com compaixão. 

Ainda não sei me expressar como gostaria, ainda não sei entender todos os meus sentimentos e emoções mas com a percepção que tenho agora eu tenho um norte, uma perspectiva diferente e um modelo de como eu gostaria que as coisas fossem. Agora eu posso me esforçar pra por esse modelo em prática. Executar dia após dia uma comunicação menos na defensiva (inclusive hoje já falhei mas consigo agora perceber onde e o porquê), mais clara, mais direta.

Sempre disse que “eu não sei o que eu quero mas tenho certeza do que eu não quero” e concluo que: o livro me ensinou o aposto! As situações e relações que vivemos durante a vida nos mostram modelos do que queremos e do que não queremos. Exemplo: comi um sanduíche, eu não quero com alface no próximo porque não gostei. Mas e o que você gostou? E o que você quer? O que eu quero? 

Hoje ouvi da Jout Jout que “o contrário do amor não é o ódio, é o medo.”

Tem muita coisa acontecendo e eu tô com medo. Não sei exatamente de quê mas tudo tem andando tão incerto que parece que a qualquer hora vai desmoronar. Talvez seja daí, medo de que tudo desmorone e que eu tenha que construir tudo novamente. Eu sei o quanto é trabalhoso ter que se reinventar e redefinir todos os planos e metas depois de uma doença psicológica. Mas e fisicamente? Como será que isso vai me afetar? Será que de fato vou me reconstruir disso? E daí vem o medo. Será que meu medo é falta de confiança no amor de Deus por mim? “O verdadeiro amor lança fora todo o medo”. Eu sei que é normal que eu me assuste, que me preocupe e até que eu me sinta triste. Mas eu não posso ter medo! Deus me diz sempre pra não ter medo, ele já me provou diversas vezes em amor, ele não tem que provar nada, eu tenho. Eu tenho que provar que confio no que ele tem pra mim, provar que apesar de todas as adversidades, Deus é amor e no amor não há medo. Preciso praticar isso em todas as áreas da minha vida, não somente agora. 

I should be over all the butterflies

Eu não sei o que tenho sentido. Mas eu sei que no meio de toda essa confusão tem medo. Medo de quebrar a cara novamente, sim. Mas principalmente medo de que todas as coisas que eu tenho pensado, não se realizem. Mas acho que não vai ter problema também se nem tudo for do meu jeito, né? Porque mesmo nas vezes que eu penso em como alguma coisa vai ser, sempre é melhor... Sempre começo com medo, daí me entrego totalmente e de repente pufff, vem aquele clique e eu fico com medo novamente. Tenho medo de olhar nos seus olhos por mais de alguns segundos porque, por mais clichê que isso pareça, eles realmente tem poder me fazer enxergar que eu gosto de você. Eu tenho medo de ver isso e saber que isso me torna vulnerável, então vou guardar pra mim. Mas será que não tô me precipitando? Será que não é só um poder mágico que você tem de me hipnotizar? Porque, sinceramente, não é possível que alguém seja como você. Você é incrível, sabia? Isso também me faz pensar que talvez eu esteja te idealizando, idealizando o que a gente tem vivido... Não é possível que seja real. Tenho vontade de gritar pra você toda vez que eu quero te abraçar apertado e nunca mais soltar, que você é maravilhoso do jeito que você é! Ia continuar escrevendo mas tô com vergonha de talvez estar me iludindo e principalmente: tô morrendo de medo!!!

Quando vovó se foi, a primeira coisa que pensei quando fiquei sozinha com o corpo dela, foi que aqueles eram meus últimos momentos com ela. Logo esse pensamento foi substituído por uma súbita onda de esperança que me dizia que se eu orasse muito, Deus traria ela de volta. Foi o que eu fiz, eu a abracei (pra aproveitar meu últimos momentos, caso não desse certo) e orei implorando pra Deus me devolver a minha avó. Não aconteceu mas Deus não me desamparou. Ele fez ecoar em minha cabeça “O Senhor deu, o Senhor tirou; bendito seja o nome do Senhor.” E foi o que repeti pra mim aquele dia, durante todo ele. Fiquei olhando pra ela e imaginando que talvez eu estivesse sonhando, afinal, um mundo sem ela não conseguia ser projetado em minha mente.

Algum tempo depois tia Edna chegou pra que eu não ficasse sozinha com ela. Lembro que o corpo da minha avó estava gelado e eu a cobri, em resposta minha tia disse que não precisava fazer aquilo porque ela não sentia mais nada. Aquilo foi demais pra mim, eu não queria escutar aquilo e aceitar o que realmente havia acontecido.

Quem me conhece sabe o quanto eu e minha avó éramos unidas e ligadas, o quanto eu não poupava “eu te amo” e ela não me poupava carinho. Ela era como uma melhor amiga pra quem eu podia contar qualquer coisa, a primeira pessoa que me

pegou no colo quando nasci e desde então nunca mais me soltou.

Quando eu perdi minha outra avó, Maria, eu percebi nunca mais queria que alguém estivesse na minha vida sem saber da sua real importância. E foi então que eu aprendi a despejar todo meu amor na minha avó e pra minha surpresa, fui retribuída com mais amor do que eu merecia.

Acho que aprendi sobre o luto quando via minha avó chorar pelo filho que havia falecido há tempos. Ela nunca realmente superou o ocorrido. Egoísmo ou não, eu também não superei não ter mais minha avó comigo. O mundo é realmente muito mais complicado sem ela e seu colo.

O que me resta agora é a saudade, que dói, que consome e que me quebra por dentro. Também há em mim esperança, de te encontrar um dia nos braços do Pai. 

Já se passaram 7 anos e certas vezes tenho medo... Medo de esquecer sua voz, medo de esquecer sua risada, as coisas que vivi com você.


Aí então eu paro e escrevo um pouquinho do que eu lembro pra nada disso se perder, todo dia eu vejo um vídeo nosso cantando desafinadas e fico rindo com a sua risada. Acabo cheia de esperança de escutar essa risada novamente e meu mundo inteirinho se enche de alegria e de força. Até de longe você me faz bem, Bilzinho. Obrigada por ser tão importante, obrigada por ter existido! Espero que meu amor seja sentido por você daí.

“Oh where oh where can my baby be?

The Lord took her away from me

She’s gone to Heaven so I got to be good

So I can see my baby when I leave this world.”