quinta-feira, 2 de setembro de 2021

Quando vovó se foi, a primeira coisa que pensei quando fiquei sozinha com o corpo dela, foi que aqueles eram meus últimos momentos com ela. Logo esse pensamento foi substituído por uma súbita onda de esperança que me dizia que se eu orasse muito, Deus traria ela de volta. Foi o que eu fiz, eu a abracei (pra aproveitar meu últimos momentos, caso não desse certo) e orei implorando pra Deus me devolver a minha avó. Não aconteceu mas Deus não me desamparou. Ele fez ecoar em minha cabeça “O Senhor deu, o Senhor tirou; bendito seja o nome do Senhor.” E foi o que repeti pra mim aquele dia, durante todo ele. Fiquei olhando pra ela e imaginando que talvez eu estivesse sonhando, afinal, um mundo sem ela não conseguia ser projetado em minha mente.

Algum tempo depois tia Edna chegou pra que eu não ficasse sozinha com ela. Lembro que o corpo da minha avó estava gelado e eu a cobri, em resposta minha tia disse que não precisava fazer aquilo porque ela não sentia mais nada. Aquilo foi demais pra mim, eu não queria escutar aquilo e aceitar o que realmente havia acontecido.

Quem me conhece sabe o quanto eu e minha avó éramos unidas e ligadas, o quanto eu não poupava “eu te amo” e ela não me poupava carinho. Ela era como uma melhor amiga pra quem eu podia contar qualquer coisa, a primeira pessoa que me

pegou no colo quando nasci e desde então nunca mais me soltou.

Quando eu perdi minha outra avó, Maria, eu percebi nunca mais queria que alguém estivesse na minha vida sem saber da sua real importância. E foi então que eu aprendi a despejar todo meu amor na minha avó e pra minha surpresa, fui retribuída com mais amor do que eu merecia.

Acho que aprendi sobre o luto quando via minha avó chorar pelo filho que havia falecido há tempos. Ela nunca realmente superou o ocorrido. Egoísmo ou não, eu também não superei não ter mais minha avó comigo. O mundo é realmente muito mais complicado sem ela e seu colo.

O que me resta agora é a saudade, que dói, que consome e que me quebra por dentro. Também há em mim esperança, de te encontrar um dia nos braços do Pai. 

Já se passaram 7 anos e certas vezes tenho medo... Medo de esquecer sua voz, medo de esquecer sua risada, as coisas que vivi com você.


Aí então eu paro e escrevo um pouquinho do que eu lembro pra nada disso se perder, todo dia eu vejo um vídeo nosso cantando desafinadas e fico rindo com a sua risada. Acabo cheia de esperança de escutar essa risada novamente e meu mundo inteirinho se enche de alegria e de força. Até de longe você me faz bem, Bilzinho. Obrigada por ser tão importante, obrigada por ter existido! Espero que meu amor seja sentido por você daí.

“Oh where oh where can my baby be?

The Lord took her away from me

She’s gone to Heaven so I got to be good

So I can see my baby when I leave this world.”

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